by Gi Monteiro

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Ecoansiedade: um olhar amazônico sobre o medo do futuro climático

Pesquisa mostra que 39% dos jovens brasileiros têm receio de ter filhos por causa das mudanças climáticas — reflexo da ansiedade ambiental

Quase 4 em cada 10 jovens brasileiros pensam duas vezes antes de ter filhos por medo do futuro climático. O dado, revelado por uma pesquisa internacional publicada na revista The Lancet Planetary Health, escancara o impacto emocional da crise ambiental, que ultrapassa o campo científico e político e alcança a saúde mental. No Brasil, segundo dados da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, oito em cada dez cidades brasileiras sofreram, por exemplo, com desastres relacionados a chuvas extremas entre o começo de 2020 e o fim de 2023.

O psicólogo Robert Rodrigues, professor da Wyden, aponta que o aumento da frequência de queimadas, enchentes e picos de calor tem provocado medo, frustração e sensação de impotência na população. Segundo ele, “quando o planeta adoece, as pessoas adoecem juntas”.

Rodrigues observa que o sofrimento causado por esses eventos extremos deixa marcas profundas na saúde mental das pessoas, que passam a temer o próximo desastre e a perder a esperança de estabilidade. Para ele, compreender a saúde mental em tempos de emergência climática exige atenção ao território e ações que fortaleçam o vínculo das pessoas com a natureza, por meio de hortas comunitárias, jardins suspensos e educação ecológica popular.

O psicólogo chama atenção para o contraste entre realidades simultâneas no país: enquanto o Sul enfrentava trágicas enchentes em 2024, a Amazônia vivia uma das maiores estiagens da história recente. O Rio Madeira, em Rondônia, secou completamente, e outros rios no Pará também foram afetados, dificultando a pesca artesanal e a mobilidade das populações ribeirinhas. Em Santarém, no oeste paraense, a fumaça das queimadas encobriu a cidade por semanas, gerando doenças respiratórias e um medo constante de que tudo se repetisse.

Ele reforça que essas consequências não se devem apenas ao clima, mas ao desmatamento, às queimadas, ao assoreamento dos rios e ao modelo de produção capitalista que intensifica a destruição ambiental. Rondônia, inclusive, já está entrando novamente no chamado “verão amazônico” — período de estiagem que se estende de junho a novembro. É nessa estação que, por causa das chuvas escassas e das temperaturas elevadas, as condições se tornam mais propícias à propagação do fogo.

O biólogo Bruno Esteves Conde, professor da Estácio, complementa a análise ao destacar que a destruição ambiental ameaça modos de vida inteiros na Amazônia. Povos indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares veem seus territórios e saberes em risco, o que gera sentimentos de perda, revolta e o que ele chama de “luto ecológico” e “solastalgia” — a dor de ver o lugar onde se vive se transformar de forma irreversível.

A pesquisa da The Lancet não é a única a apontar o impacto emocional da crise ambiental. Um levantamento da consultoria Nexus, encomendado pelo Movimento União Brasil, revelou que 82% dos brasileiros com mais de 16 anos já ajudaram vítimas de desastres naturais. Contudo, 77% nunca tomaram medidas para se proteger de tragédias climáticas e metade da população não sabe onde buscar informações em caso de emergência. Os dados revelam que, apesar da solidariedade, ainda falta preparo e acesso a informações claras e acessíveis.

Apesar dos desafios, o engajamento coletivo tem mostrado caminhos possíveis. A exemplo disso, após a tragédia no Rio Grande do Sul, instituições como Wyden, Estácio e IDOMED se uniram em uma campanha nacional de arrecadação de donativos, mobilizando estudantes, docentes e colaboradores para doações de alimentos, roupas, água e produtos de higiene. Para Rodrigues, esse tipo de mobilização também é cuidado em saúde mental, pois transforma o medo em ação.

Bruno Esteves defende o fortalecimento da ciência cidadã e a valorização dos saberes tradicionais. Iniciativas como agroflorestas produtivas, brigadas comunitárias contra o fogo e o uso de tecnologias indígenas no monitoramento territorial mostram que é possível promover desenvolvimento sem destruir a floresta. A educação ambiental, segundo ele, precisa dialogar com as juventudes amazônidas e mostrar que é possível viver da floresta, cuidando dela.

Wyden

Por Gi Monteiro

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